25 junho 2011

Escutatório

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.


Continue Lendo no Farol Buscador, existem várias pérolas no blog do Fernando.  

3 comentários:

  1. Ravena, adoro este texto e já o publiquei em meu blogue. Que bom seria se as pessoas não desperdiçassem o precioso e sagrado dom da fala com bobagens e soubessem ouvir e compreender mais umas às outras... Abraços, Dani. http://atriomental.blogspot.com

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  2. Obrigado Ravena!

    De encontro à simplicidade vamos reaprendendo a sentir, a absorver a vida.

    Abração!

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